O Castelinho

dez 30, 2012   //   by admin   //   Sem comentários

Aqui, olhando para você… Vou te revendo, desde o dia em que foste colocado no ponto central de   nossa praça da Matriz.

É verdade! Naquela remota noite de março de 1960, foi uma apoteose para nós, paulenses, te ver todo resplandecente.

Quantas exclamações a ti foram feitas! Tuas águas e luzes multicolores, teu farol, tua cascatas e teus jardins, davam-nos a impressão de ver príncipes e princesas adentrando tuas salas para um baile de gala.

Quantas juras de amor foram feitas ao redor de ti e – sabe-se lá – quantas confidências ouviste!

Surgiste como uma beleza empolgante para todas as idades e, por que não dizer, serviste de ponto turístico aos visitantes. A pracinha parecia ter uma vida radiante de luz.

Tudo isto permanecerá em nossa memória e será perpetuado para sempre, pois nós crescemos e vivemos contigo. Não vamos esquecer nunca aquela noite malfadada em que um débil mental te destruiu.  Qual não foi nossa desilusão ao acordarmos e te ver aí, todo destroçado. Condenaram-te ao abandono e à destruição. Nossas crianças hoje não têm a oportunidade de ver-te aceso e cheio de vida.

E como se parte de nós tivesse sido destruída.

Assim, nem sei se reconstituímos a antiguidade nas páginas de nossa história.

Neste momento sei apenas que um profundo desamparo me invade.  Chego a te comparar com os castelos dos homens, aqueles criados na alma de cada um. Os sonhos, as ambições, os ideais… Tudo aquilo que se perde e, sem alento, nunca mais se reconstrói.

Perco-me no efêmero das coisas… Aqui, olhando e não te vendo.

Transcrito do Jornal “EQUIPE”

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