Poção dos Pereiras

dez 30, 2012   //   by admin   //   Sem comentários

Nos anos cinqüenta Monsenhor Paulo não possuía a Praça de Esportes, o Clube dos 100 e nem se conheciam piscinas particulares. A molecada se virava nos ribeirões para aprender a nadar. A maioria procurava o Poção dos Pereiras. O Poção ficava nas terras do Sr. Domingos Pereira, marido de D. Tilica. Nos dias de calor partíamos para lá. Descíamos a rua do Sr. Américo Silveira, hoje entrada asfaltada da cidade, logo abaixo começava a propriedade do Sr. Domingos, passávamos por baixo de uma cerca de arame e depois de percorrer uns cem metros de trilha no meio do pasto, saltando os pés de guanxuma amarrados pelos que iam antes, chegávamos ao poção, nossa piscina natural. Um verdadeiro paraíso. A primeira providência era tirar a roupa, toda roupa, todo mundo nu.

Clube do Bolinha só meninos e marmanjos, no maior respeito, é claro. Algumas figurinhas difíceis se destacava no ambiente: Biíca, o “Falcão Mascarado” mergulhava dos galhos das arvores que margeavam nosso poção.Tibum dentro d’água e aplausos. Nivaldo da Tiana Rosa o maior de todos e uma espécie de Xerife. Todos respeitavam. Luizinho da Sá Luiza, vulgo Tiziu, por ser o menor da turma era o preferido para ser afogado pelos marmanjos. Outros freqüentadores assíduos: Tonho do Olímpio, Mário do Zoroastro, Luiz Arnaldo e tantos outros. O Poção tinha a parte funda, denominada “cabeceira”, na entrada da água que vinha das terras do Sr. Luiz Tavares, onde nadavam e mergulhavam os marmanjos; na parte rasa onde saia a água, ficavam os menores e aprendizes.

Chegar nadando até a cabeceira era a glória. Quando havia enchente o Poção mudava sua conformação, na parte funda acumulava muito barro e era comum algum mergulhador distraído sair do mergulho com a cara toda cheia de barro, para alegria dos “assistentes”. Assim, naquele meio de algazarras e brincadeiras muitos paulenses aprenderam a nadar. Logo abaixo do Poção havia uma várzea onde, na época das chuvas, formavam-se poças de água parada que fica- vam quentes com o sol, eram nossas piscinas térmicas. Os meninos daquela época parece que eram mais resistentes ou mais protegidos por Deus. Hoje se um garoto destes de computador e fliperama fizer isso certamente ficará todo empestado. Nas noites quentes de verão íamos nadar à noite.

Levávamos velas que eram acesas e colocadas beirando as margens do nosso Poção, ficava até bonito e fantasmagórico. E nós lá chapinhando nas águas tépidas. Era bom demais! Ivan Furquim, Paulo Silveira, Eu e muitos outros que não me recordo. Os tempos foram mudando, o progresso chegando, as oportunidades de lazer aumentando e o nosso Poção ficando de lado. No início dos anos sessenta saí de Monsenhor Paulo e nunca mais vi o Poção. Nem sei se ainda existe algum sinal dele. Qualquer hora vou investigar.

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