Enterro de Anjinho

dez 30, 2012   //   by admin   //   Sem comentários

Na década de 50, era bastante alto o índice de mortalidade infantil no país. Em nossa querida Monsenhor Paulo não podia ser diferente. Quando menos se esperava, uma música bastante triste era ouvida em toda a cidade e o alto-falante da igreja anunciava que o céu ganhara mais um morador.

Todos eram convidados para o sepultamento, principalmente a criançada. Como o fato, infelizmente, era bastante corriqueiro e o horário do enterro muitas vezes impróprio para os adultos envolvidos na lida diária, era muito comum que o acompanhamento fosse feito quase que exclusivamente por crianças, as quais disputavam as alças do “caixãozinho”, no desejo de participar de maneira mais completa, de tal ato de fé e solidariedade.

Para se chegar ao cemitério, descia-se pela Praça da Matriz, entrava-se na Rua Dom Hugo, ganhando a Rua Coronel Zoroastro de Oliveira. Na esquina onde fica o sobrado do Sr. Waldemar Pagani, iniciava-se a subida da Avenida Nossa Senhora Aparecida, hoje Avenida da Paz, no fim da qual localizava-se o cemitério. Numa ensolarada manhã de quinta-feira, a música triste do alto-falante da igreja convocou novamente a criançada.

Mais um anjinho iria integrar a população celeste e lá fomos nós cumprir nosso dever de pequeninos cristãos. Quando o pequeno séqüito alcançou a esquina da Rua Dom Hugo, Dona Maria Rezende, da janela de sua residência, nos acenou freneticamente. Envolvidos na nobre tarefa de carregar o “caixãozinho”, não entendíamos os motivos de tanta gesticulação.

Olhávamos uns para os outros embasbacados, até que o Sr. Geraldo Totti, proprietário da Casa Favorita, atravessou a rua para nos dizer que conduzíamos o caixão pelo lado contrário. Respeitosamente o desviramos e assim, a atenção de Dona Maria e a boa vontade dos pequenos condutores impediram que o “anjinho” chegasse de costas em sua última morada.

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