Bar Avenida

dez 30, 2012   //   by admin   //   Sem comentários

Uma avenida de saudades. Parto de um tempo em que me incluo na história desse lendário ponto de encontro. Outras histórias ali vividas pretendo contar. À partir de do ano de 1962, quando então com oito anos já sabia voltar “troco” para nossos fregueses, comecei a protagonizar parte da vida do querido Bar Avenida.

Certa manhã, como era de minha obrigação, levantei-me para efetuar as limpezas no ambiente e qual não foi minha surpresa, vi todo tipo de rabiscos, nas portas, no balcão, na sinuca, nas paredes, na máquina de picolé, no passeio e nas ruas, ainda meio que sem entender, eu lia Brasil Bi-Campeão. Bar Avenida, futebol, cúmplice de uma torcida.

Ponto de encontro da juventude paulense, que para ali se dirigia, ora para ouvir músicas, ora para discutir futebol, ora para jogar sinuca e principalmente para paquerar as moças que em sua frente faziam avenida. Velho Bar Avenida, testemunha de uma conquista. 1963/1964. Em meio aos burburinhos de uma revolução que acontecia, ouvia, pelo serviço de auto falante, através de um disco de vinil o discurso do Padre Godinho relatando com pesar a morte de um presidente cujo nome acha-se eternizado na escola que mais tarde iria estudar – Kennedy. Bar Avenida, minha história, minha vida.

Em sua frente, o banco da praça que leva o nome de seu dono. Em sua frente a Velha Jardineira fazia seu ponto de partida e de chegada. Em sua frente os bancos de madeiras para o conforto de quem ali batia seus papos. Bar Avenida, marco de uma vida. Paulenses contemporâneos do Velho Bar certamente lembrar-se-ão dos momentos de lazer que ali passavam, cidade pequena, nenhuma diversão, músicas no auto falante, recados para a namorada, avisos de interesse, era meu irmão passando-se por locutor. Bar Avenida, avenida de nostalgia.

Nasce o ARPA – Associação Recreativa Paulense – nossos bailes que até então eram realizados no Salão Paroquial, para lá são transferidos. Embora mais distante, o Velho Bar era ponto obrigatório para os primeiros goles encorajadores. Bar Avenida, ponto de partida. A vontade de crescer na vida é mais forte que os apelos do Velho Bar me faziam, para junto dele, sobreviver aos tempos.

Parto para a cidade grande em busca de realização profissional, vejo a agonia do meu querido bar aumentar e rapidamente cerrar os olhos. Bar Avenida, quanta saudade me traz. Bar Avenida, um cafezinho! …

Ronaldo Américo Baldin – Guaçuí – ES – fevereiro de 2004

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