A Jardineira II

dez 30, 2012   //   by admin   //   Sem comentários

Como é gostoso relembrar sua época. Diariamente pela estrada, ora barrenta, lá ia a jardineira de Monsenhor Paulo à Campanha. Dentro de sua história muitos e muitos fatos ficaram registrados no coração dos paulenses. Tanto em cima, no bagageiro, como no interior do veículo, ocorriam os mais diversos acontecimentos, o que não seria de espantar, pois com capacidade para trinta e duas pessoas, acabava carregando umas cinqüenta.

Eram do tipo mais variado. Na sua maioria os passageiros se compunham desses adoráveis caipiras do campo que levavam consigo as mais diversas quinquilharias, para negociação na vizinha Campanha. Quem não se lembra de seu aspecto antiquado!

Aquele carro grande de cor marrom, com tamanho bico, que a todos chamava a atenção; sua traseira com aquela escadinha ligando ao bagageiro também não haveríamos de esquecer. E sua lerdeza! Num percurso de 23 Km parava umas cinqüenta vezes, com aquela ladainha no entra e sai: “Ô cumadi! Cumé que é Cumpadi?” E daí o papo se alongava, até o motorista participava da conversa.

A jardineira seguia estrada afora; de repente um leitão foge de dentro de um saco formando a maior balbúrdia. O pessoal se unia, cata leitão daqui, cata leitão dali. Alguns passageiros nem desciam do carro, outros ficavam nas imediações e entre gargalhadas, instigavam: pega fulano, corre cicrano, a alegria era geral. Com um pouco de calma tudo se tornava pitoresco.

Relevantes serviços você prestou a comunidade, que diariamente as cinco da tarde, nas janelas aguardava seu retorno, estacionando no seu famoso ponto, o Bar Avenida. O tempo passou jardineira, as transformações trouxeram novos veículos e fizeram com que você fosse abandonada. Por muito tempo seus destroços ficaram às margens da avenida que vai para o bairro da Santa Cruz.

Hoje nada mais resta de você, somente a lembrança perpetuada no coração de nós, paulenses, que a conhecemos.

Deixe um comentário