Atrás do clube

dez 30, 2012   //   by admin   //   Sem comentários

ARPA – Associação Recreativa Paulense – para quem ainda se lembra dele nos velhos tempos.

Vi  sua construção, uma coisa imensa aos meus olhos de criança. Ficava fascinado!

Foi ali naquele clube, localizado em frente à casa de meus pais, que “ouvi” muitos bailes (durma-se com um barulho daqueles!).

Ficávamos no alpendre de casa vendo o movimento de pessoas e de carros. Passavam por ali algumas mulheres bem produzidas e muitos homens, nem tão bem acabados.

A melhor parte era esperar pelo final do baile para vermos as brigas que quase sempre aconteciam. Algumas  inesquecíveis.

Minha casa era como se fosse a última parada das moças, amigas de minhas irmãs, para um retoque na maquiagem, uma ajeitadinha nos cabelos, uma passadinha de batom, um xixizinho…

“Tia Jane” era uma dessas amigas. Lembro-me bem dela sempre alegre! Com tantas mulheres a casa ficava mais cheirosa pela variedade de perfumes. E lá iam minhas irmãs para o baile (se o pai deixasse).

Na manhã seguinte costumávamos andar ao redor do clube procurando coisas, porque sempre alguém perdia uma moeda, uma correntinha,  mas, na maioria das vezes, achávamos copos, garrafas, absorventes, camisinhas e outras coisas mais.

As melhores lembranças são as brincadeiras que aconteciam atrás do ARPA: futebol, bolinha de gude, arco e flecha, pipa, Tarzã, polícia e ladrão e outras.

Era um terreno grande de terra batida, barrancos e muitas árvores. Foi ali que fizemos o nosso campinho, que tinha somente um gol com traves de bambu. Lógico que não possuía rede.

O gol foi colocado estrategicamente num local que, se a bola passasse por ele, ia parar no barranco (economia de gandula!).

Ali juntavam primos, irmãos, colegas de escola. Tinha dia que ficava uma turma literalmente “no barranco” aguardando a vez para jogar.

Só tínhamos que tomar cuidado com o saudoso Sr. José Martins, que não sei bem ao certo, parece que zelava pelo clube e adjacências. Era ele aparecer e a molecada sumia num piscar de olhos. Levamos várias broncas dele porque ora quebrávamos vidros, ora quebrávamos telhas, na tentativa de recuperar a bola, devido ao “pé torto” de alguns atletas.

Um dia aquela trave de bambu serviu para outra coisa. Um primo fez uma falta desleal em mim que me deixou furioso. Foi a conta de me levantar, sacudir a poeira, arrancar uma delas e sair dando bordoada sem parar. Ah se eu acerto!

Acalmados os ânimos, a trave foi recolocada e o jogo reiniciado, sem mágoa nem rancor, como são as brigas de criança.

Brincávamos ali quase todos os dias e, quase sempre voltávamos para casa ralados, roxos e quase  estropiados. Mas não desistíamos nunca. No outro dia estávamos todos lá de novo.

Hoje não há barranco, primos, traves e nem árvores. O terreno foi aplainado e cercado por muros e grades.

Atualmente, quando vou visitar Monsenhor Paulo, sempre dou um jeitinho de ir lá atrás do ARPA. É tão perto! Ele continua em frente à casa de meu pai (ou é a casa de meu pai  que continua em frente ao clube?).

Aí, vem todas essas lembranças que fizeram parte de minha infância.

Às vezes levo meu filho lá também e mostro onde ficava o gol, o barranco, a árvore grande…

Parece que até ouço o Sr. José Martins dando bronca na gente!

- Você ouviu isso, Raí?

- Não pai, sossegue. São só suas lembranças!

Magno A. Baldim – 03/02/2009

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