Cinema na Ponte Alta

dez 30, 2012   //   by admin   //   Sem comentários

O primeiro cinema de Monsenhor Paulo ficava onde hoje está a casa que pertenceu ao Sr. José Totti, na esquina da Rua Cel. Zoroastro de Oliveira (antiga Rua Direita) com a Rua Dom Hugo. Passava, ainda, fitas do cinema mudo e não sei a quem pertenceu. Temos notícia de outro cinema que funcionou, alguns anos depois, onde hoje é o Supermercado Pereira, na Praça, antes do Supermercado,onde funcionava o Laticínio Campos. Projetava, também, fitas do cinema mudo.

Sabe-se que, onde está a Padaria do Sr. Antonio Figueiredo, na rua Dr. Jefferson, funcionou, também, um cinema, no prédio que foi construído pelo Sr. Atílio Bellato e que durante muito tempo foi sua loja de ferragens.

Depois os compadres Ernesto Baldim e José Martins dos Santos (barbeiro) instalaram um cinema no Salão Paroquial, já com som, apresentando fitas de cinema falado. Após alguns anos eles venderam o cinema para o Sr. Ildeu Morais Coutinho, que veio de Silvianópolis para residir em Monsenhor Paulo.

O jovem paulense de hoje nem imagina como freqüentavam o cinema os jovens do século passado. Os filmes chegavam pela “jardineira” do Sr. Pedro Silveira, vindos da estação da Rede Mineira de Viação em Campanha. Quando chegavam, em “rolos” acomodados em latas redondas, era um acontecimento. Cada lata trazia uma parte do filme e a certeza de um divertimento para a noite. O proprietário do “cinema” era o Ildeu, cunhado do Sr. João Magalhães (João Farmacêutico) e o local de exibição era o Salão Paroquial.

O público gostava de se assentar nas primeiras filas de cadeiras de madeira, para “ver mais de perto os artistas”. Era comum a fita arrebentar-se, por ser geralmente antiga e mal conservada. As luzes eram acesas, então, e enquanto o “operador” tentava emendar as pontas do celulóide, os fumantes aproveitavam para sair para a rua e fumar um cigarrinho. Feito o conserto, eram alertados pelo porteiro e retornavam aos seus lugares para a continuação da projeção. Não raro acontecia de o operador trocar as partes do filme. O espectador ficava sem entender nada e vaiava. Depois do reparo feito, a sessão continuava. Os filmes eram “far-west” (a torcida para o mocinho era acompanhada por palmas e por muita algazarra), romances, filmes de guerra e, na Semana Santa, a famosa “Vida, paixão e morte de Cristo” era programação certa. O projetor era velho e, quando “pifava”, gerava a maior expectativa, todos querendo saber se ele seria consertado, ou não, até à hora da sessão começar. Certa feita, um espirituoso sugeriu que se desenrolasse o filme da porta da igreja até o Bar Avenida para as pessoas olharem diretamente na fita.

Depois da exibição do filme seguia-se, o “seriado”; à moda das novelas atuais, a cada semana era exibido um capítulo. O “Falcão Mascarado” foi o seriado de maior sucesso entre os jovens. Hopalong Cassidy, Cisco Kid, Buck Jones, Tom Mix e Jesse James eram nossos caubóis preferidos, que alguns filhos de fazendeiros tentavam imitar com seus quadrúpedes, galopando pelas ruas empoeiradas da Ponte Alta.

Depois a televisão chegou com suas novelas e programas de auditório e praticamente acabou com o cinema nas cidades pequenas.

Deixe um comentário