Poemas de Magno Baldim

dez 30, 2012   //   by admin   //   Sem comentários

JARDINEIRA

O que resta de você?
Você que já não tem restos?!
Apenas algumas fotografias
Já amareladas pelo tempo
Penduradas numa parede qualquer.

Você, jardineira
Levou pessoas que não voltaram mais
Levou lembranças para os que já tinham ido
Levou perguntas
Levou nossa gente humilde
Nossos trabalhadores
Nossos aventureiros
Nossos amores
E, até alguns animais você levou.

Você trouxe pessoas que ficaram para sempre
Trouxe saudades dos que se foram
Trouxe respostas
Trouxe enfim o progresso
E esse acabou sendo o seu fim.

É, jardineira…
Trocaram você por um transporte moderno
Mas por algum tempo
Você nos fez existir
Era nossa única e grata ligação
Com o mundo lá fora.

Magno Baldim 06/01/2000

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CASTELINHO

Apagaram-se as luzes
Fecharam-se as cortinas do tempo.
Não vejo mais suas torres
Não vejo mais suas águas
Não vejo mais suas cores.

Acordaram-nos de um sonho lindo
Tiraram-nos do mundo mágico
Que fim mais trágico
Teve você, meu castelinho!

Você que iluminava o nosso Natal
E foi cúmplice dos primeiros amores.
Onde foram parar suas luzes?
Onde estarão suas torres?

Olho hoje para o seu lugar
E vejo apenas espinhos.
Ficou uma coisa sem graça
Andar por esta praça
E não ver meu castelinho.

Magno Baldim – 06/10/2000

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